Descrição
Nos últimos anos, algumas empresas jornalísticas adotaram softwares de Natural Language Generation (NLG) para produzir conteúdos automatizados em coberturas de finanças, esportes, eleições, crimes, terremotos, fenômeno este denominado Jornalismo Automatizado (GRAEFE, 2016) ou Jornalismo Algorítmico (DÖRR, 2015). Partindo de um ponto de vista simétrico e não-antropocêntrico para observar os agenciamentos entre atores humanos e não-humanos, como defendido pela Teoria Ator-Rede (LATOUR, 1992, 1994, 2000), este artigo pretende apresentar e problematizar duas das redes sociotécnicas que se articulam em torno do jornalismo automatizado. Uma primeira rede, em geral mais visível, se efetiva a partir da mobilização dos atores em torno da controvérsia desencadeada pela publicação dos textos escritos por bots, motivada principalmente por uma possível substituição de jornalistas por robôs-redatores. Em geral menos evidente, uma segunda rede se revela no complexo processo de produção de notícias automatizadas que envolvem atores humanos – programadores, jornalistas, empreendedores – e não-humanos – algoritmos, banco de dados, computadores. Esta análise considera que os repórteres-robôs não eliminam, mas modificam o trabalho dos jornalistas, desafiando-os a se adaptarem para lidar com os dados de uma nova forma e a se familiarizarem com linguagens de programação.