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Devir-outro e potencialidade política da escrita no encontro com a infância: reflexões a partir do livro/filme Todos se van
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Metadados
Descrição
Este artigo tematiza a potencialidade política da escrita, buscando compreendê-la em suas conexões com os processos de subjetivação e singularização. Para tanto, analisa a relação estabelecida com a escrita pela garota Nieve, protagonista do romance Todos se van (2006, 2011) e do filme homônimo (2015) nele inspirado. Nieve é o alter ego da escritora cubana Wendy Guerra, que produziu suas primeiras poesias ainda na infância, sendo Todos se van derivado da compilação de seus diários. O aporte teórico do artigo inclui formulações de Foucault (1979, 2009, 2014), Guattari (1996, 1997, 2012, 2021) e Deleuze (1997, 1998, 2010, 2011, 2012, 2013), principalmente. A abordagem metodológica privilegia o estudo das obras como documentos históricos que guardam relação com seus contextos de produção e recepção. A análise constata que a relação de Nieve/Wendy com a escrita contribuiu para forjar sua subjetividade, estando associada a processos de singularização que remetem ao devir-criança e ao devir-escritora, principalmente. Conclui-se que as obras analisadas - assim como outras produções literárias e cinematográficas latino-americanas gestadas em contextos marcados por alguma forma de autoritarismo político, intolerância ao dissenso e/ou perda de direitos - expressa a potencialidade política da arte, ao contribuir para a visibilização das formas de opressão que atingem as pessoas às quais é dificultada/negada a possibilidade de participar nas decisões políticas e, consequentemente, exercer plenamente sua cidadania.||This article discusses the political potential of writing, seeking to understand it in its connections with the processes of subjectivity and singularization. In order to do so, it analyzes the relationship established with the writing by the girl Nieve, protagonist of the novel Todos se van and the film, of the same name, inspired by it. Nieve is the alter ego of Cuban writer Wendy Guerra, who wrote her first poetry as a child, with Todos se van derived from the compilation of her diaries. The theoretical contribution was based on the publications of Foucault, Deleuze and Guattari, mainly. The methodological approach favored the study of Todos se van as historical documents that are related to their contexts of production and reception. With the analysis, it was found that Nieve/Wendy's relationship with writing contributed to elaborate her subjectivity, being associated with processes of singularization that refer to the becoming-child and the becoming-writer. It is concluded that Todos se van - like other Latin American literary and cinematographic productions created in contexts marked by political authoritarianism, intolerance of dissent and/or loss of rights - expresses the political potential of art, by contributing to the visibility of the forms of oppression that they affect people that are hampered from participating in political decisions and, consequently, fully exercising their citizenship.
Periódico
Colaboradores
DADO AUSENTE NO PROVEDOR
Abrangência
DADO AUSENTE NO PROVEDOR
Autor
Silva, Ivone Maria Mendes | Kielb, Eliziane Gorete | Stakonski , Ana Carolina
Data
15 de dezembro de 2022
Formato
Identificador
https://ojs.ufgd.edu.br/index.php/Raido/article/view/15937 | 10.30612/raido.v16i41.15937
Idioma
Direitos autorais
Copyright (c) 2022 RAÍDO
Fonte
Raído; v. 16 n. 41 (2022); 28-53 | 1984-4018
Assuntos
cinema | literatura | micropolítica | subjetivação | infância
Tipo
info:eu-repo/semantics/article | info:eu-repo/semantics/publishedVersion